Valadarenses entram com ações judiciais contra a Samarco

Após mais de dois meses de convívio com a lama presente nas águas do Rio Doce, moradores de Governador Valadares , no Leste de Minas, têm entrado com ações na Justiça para buscar ressarcimentos pelos transtornos causados após a contaminação ocorrida em função dorompimento de uma barragem de rejeitos de minério da Samarco, cujas donas são a Vale e a BHP Billiton.

O processo judicial por danos morais foi o meio que o agente homologador, Rômulo da Cunha Pereira, encontrou para protestar contra os prejuízos causados pela mineradora. Morador da Ilha dos Araújos, bairro localizado no meio do Rio Doce, ele relata que após a contaminação teve de suportar por cerca de uma semana o fedor dos peixes em decomposição, além de ter tido outros transtornos devido à falta d’água que se seguiu após a chegada da lama.

Ele conta que queria fazer algo que tivesse mais impacto do que postar fotos e mensagens de indignação nas redes sociais, queria poder afetar diretamente a empresa.

“Não sei se tenho chance de ganhar algo, pois sei que não há consenso entre os juristas sobre danos individuais em casos como este, mas o dinheiro não é o mais importante para mim. Eu espero que o juiz entenda que a gente foi lesado e que a gente ganhe alguma coisa, para limpar a consciência, saber que a gente fez alguma coisa ”, afirma.

Ele não é o único a recorrer à Justiça buscando compensação. A advogada Carla Vilas Boas já entrou com cerca de 10 ações por danos morais e/ou materiais, dentre elas uma em causa própria. “Num dia que trabalhei até às 20 horas, saí cansada do escritório e fui enfrentar uma fila enorme no Grã-Duquesa, onde distribuíam água. Fiquei lá um bom tempo, e quando a fila ainda estava na metade disseram que a água tinha acabado. Cheguei em casa depois das 22 horas, cansada e frustrada por estar sem água”, conta a advogada.

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No entanto, Carla defende uma causa que se destaca entre as demais. Uma das clientes dela, que não quis conversar com o G1, mas autorizou a advogada falar sobre o caso, entrou com pedido de danos morais por ter perdido um bebê devido ao esforço que fez carregando água.

“A minha cliente é cabeleireira e dona de salão, ela precisava buscar água e levar para o negócio dela, pois era necessário para lavar o cabelo das clientes. Quando não tinha água, ela tinha que fechar o salão e teve também prejuízo material; a ação também pede indenização por isso”, explica Carla.

Com laudos em mãos, a advogada contou que a cliente descobriu a gravidez por meio de exame de sangue no dia 12 de novembro, mas ao fazer ultrassonografia no dia 24 do mesmo mês, o médico disse que o feto não estava mais lá. O laudo anexado no processo indica que a perda do bebê foi decorrente do excesso de esforço. A ação judicial busca ressarcir os danos psicológicos causados na mãe, bem como os prejuízos pela perda de clientes no salão.

“Eu tomei conhecimento que já existem cerca de duas mil ações já contra a Samarco, em Valadares. Foi no Juizado Especial que tomei conhecimento desse número. Muitos estão pleiteando danos materiais, do prejuízo financeiro que tiveram”, pontua a advogada.

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O G1 entrou em contato com a Samarco para comentar as ações relatadas na reportagem, mas até o fechamento desta matéria não houve resposta.

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