Prefeitura sabia dos riscos de rolamento de pedras no Morro Boa Vista

Os riscos de possíveis rolamentos de pedra no Morro Boa Vista, em Vila Velha, já eram do conhecimento da administração municipal desde janeiro de 2012. Um relatório do Serviço Geológico do Brasil já indicava que havia perigo para cerca de 400 imóveis e para 2 mil pessoas.
A orientação à época é de que as famílias deveriam ser removidas do local. O documento foi anexado ao Plano Municipal de Contingência, elaborada pela gestão de Rodney Miranda para os anos de 2013 a 2015.
Mas, segundo o prefeito, o mapeamento estava voltado para uma avaliação de riscos para momentos de chuva. “O relatório não trazia nenhuma informação sobre a pedra que caiu”, destacou, acrescentando que desde 2013 nenhuma obra de contenção foi feita na região. “Não tive recursos municipais e nem ajuda dos governos estadual e federal”.
Na avaliação de Miranda, os questionamentos que estão sendo feitos sobre o relatório têm cunho político, ao se referir a divulgação dos documentos pelo seu antecessor, Neucimar Fraga. “Não vou permitir politicagem com esta situação”, informou.
Fraga, por sua vez, informou que passou todas as informações sobre os riscos na região para seus sucessor. “Era fim de mandato”, assinalou.
Obras
As obras para conter a pedra de mais de três mil toneladas que se desprendeu no alto do Morro da Boa Vista, em São Torquato, Vila Velha, e destruiu quatro residências, devem começar nesta terça-feira (05). Análise feita por engenheiros da Prefeitura do Rio de Janeiro e técnicos do município capixaba e do governo do Espírito Santo sugeriu que cabos de aço e estacas devem ser utilizados na contenção. As pedras menores também serão destruídas.
De acordo com o prefeito de Vila Velha, Rodney Miranda (DEM), as pedras menores serão retiradas para evitar que elas rolem em caso de chuva. “A partir de amanhã vamos começar a derrocagem, cortar, retirar e fixar as rochas para que em caso de chuva elas não voltem a descer”, disse.
Segundo o prefeito, a avaliação feita nesta segunda-feira (04) apontou que não existe risco imediato da rocha terminar de descer o morro. Rodney afirma que após a retirada e contenção das pedras, as famílias poderão voltar para suas casa. “Nossa intenção é fazer tudo com muita técnica e precisão e o mais rápido possível para evitar novos deslizamentos e para que as pessoas possam voltar para suas casa”, destacou.
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Famílias prejudicadas
Mais de 1.200 pessoas precisaram deixar suas casas por conta do risco de novos desmoronamentos. Trinta e sete famílias estão abrigadas na escola Jairo Matos, em São Torquato.
Retirada judicial de crianças
A Prefeitura de Vila Velha está pleiteando na Justiça não só a retirada judicial das famílias com crianças que se recusam a sair das áreas de risco do Morro Boa Vista, mas até mesmo o pedido de tutela dos menores nos casos de resistência dos pais.
“Estou pedindo uma ordem judicial para assumir a tutela das crianças menores de 14 anos, nos casos extremos”, informou ontem o prefeito Rodney Miranda.
A medida, considerada extrema por ele, será adotada nos casos em que as famílias se recusarem a sair das casas que estão no chamado “Polígono de risco”, sujeitas a novos deslizamentos de pedra.
São famílias , segundo Miranda, que já foram notificadas, mas que insistem em não atender o pedido. Mas ele avalia que isso só deve ocorrer em poucas situações.
“Muitas já estão atendendo os nosso pedidos”, assinalou.
Segundo o prefeito, a preocupação com as crianças decorre do fato de que elas não podem tomar uma decisão. “Ainda não têm consciência para tomar essa decisão”, acrescentou.
O pedido foi feito para a Vara da Infância da Juventude de Vila Velha. A decisão depende agora da conclusão do levantamento que está sendo feito por técnicos da prefeitura sobre o total de casas que foram afetadas e de crianças que nelas residem. A expectativa é de que o estudo seja concluído hoje.
Também está sendo avaliado a possibilidade de que a retirada das famílias com crianças menores de 14 anos, seja mediante o oferecimento imediato de um aluguel social.
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Desespero
A dona de casa Anne Ellen Tosta Alves, 31 anos, é uma das famílias que reside na área de risco. Ela já foi notificada pela prefeitura, mas decidiu permanecer na casa com os seis filhos. O argumento dela é que não tem para onde ir. “Para onde vou com seis crianças?”, questiona.
Anne destaca as dificuldades de seguir para o abrigo oferecido pela prefeitura, em uma escola pública, com muitas crianças. “Não tem condições. É muito complicado”, acrescenta.
Outra preocupação dela está em deixar a casa fechada e seus pertencer acabarem sendo saqueados. “Não posso deixar minhas coisas serem roubadas”, desabafou.
Ele afirma que só sai de sua casa se a administração da cidade a ela oferecer uma outra casa onde possa viver, mesmo que de forma temporária, com os seis filhos. “Não tenho condições de pagar um aluguel, pois estou desempregada”, relatou Anne.
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