Passeio de ciclistas acaba em confronto

“A bike é inimiga do Estado, não paga IPVA, multa, pedágio, combustível, e tira a renda do transporte público e ainda faz o cidadão viver mais pra usufruir mais tempo a aposentadoria”. Com essas palavras o ciclista Joelton Barbosa Azevedo resume uma grande confusão registrada na manhã deste domingo (10), quando milhares de ciclistas insistiram em fazer uma tradicional pedalada, que tinha sido proibida pela Justiça.

Ciclistas afirmam que a Polícia Militar usou bombas de gás lacrimogêneo para impedir a realização do evento chamado de “Tradicional Descida à Santos”, na manhã de domingo.

O ato havia sido proibido após decisão do juiz Celso Lourenço Morgado, da Comarca de São Bernardo do Campo.
Os manifestantes afirmam que foram cercados pela PM quando estavam na via Anchieta, altura do quilômetro 40, sentido litoral, em São Bernardo do Campo. Após os policiais usarem bombas, ciclistas começaram a descer a via pela contramão.

De acordo com o 1º Batalhão Policial Rodoviário, houve uma negociação entre a PM e os ciclistas que se dispersaram pacificamente do local. O ato acabou por volta das 13h10.

Segundo o CPRv (Comando de Policiamento Rodoviário), cerca de mil manifestantes estiveram no local. A Ecovias, concessionária que administra a rodovia, disse que a estrada ficou totalmente bloqueada e teve que realizar Operação Comboio a partir das praças de pedágio do quilômetro 31, da Anchieta, e quilômetro 32, da Imigrantes.

O juiz que proibiu a manifestação justificou, na decisão, que “não se discute, aqui, o direito de ir e vir, nem a liberdade de reunião (garantias constitucionais). O que se questiona é o exercício destes direitos de forma regular e adequada, em lugar apropriado, sem que haja sobreposição a direitos alheios também reconhecidos, no caso, a locomoção”.

Ecovias pediu a liminar

Na mesma linha, a concessionária Ecovias afirma, em nota, não ser contra a manifestação dos ciclistas, mas “busca apenas que a realização de eventos como este não comprometa a segurança dos usuários, estejam eles em veículos motorizados ou não”.

A empresa que administra a rodovia ainda diz que “embora o CTB [Código de Trânsito Brasileiro] permita a circulação de bicicletas em rodovias, a prática no Sistema Anchieta-Imigrantes não é recomendada”.

A concessionária justifica citando a alta velocidade permitida aos carros na rodovia e a falta de acostamento em alguns trechos, o que poderia gerar risco aos ciclistas.

Os organizadores do evento dizem que a “Tradicional Descida à Santos” é um grande encontro de ciclistas de todo o país, que querem “juntos exercer o direito de pedalar por um dos melhores roteiros de cicloturismo do Estado de São Paulo, além de mostrar que a bicicleta é um meio de transporte possível, tanto para o dia a dia na cidade, quanto para realizar viagens”.

Os ciclistas também lamentam a falta de apoio da concessionária ao evento tradicional.

Até a noite deste domingo a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo não havia se pronunciado sobre a acusação de uso excessivo da força policial contra os ciclistas.

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