Obra atrasa, RJ muda data e Linha 4 do metrô não fica pronta para Olimpíada

A Linha 4 do Metrô do Rio de Janeiro, anunciada até a metade deste mês pelas autoridades do Estado do Rio de Janeiro como obra essencial para a realização dos Jogos Olímpicos de 2016, não estará pronta e em pleno funcionamento durante o evento, que será realizado em agosto daquele ano.

Com os prazos e planos atuais de Governo do Estado do Rio de Janeiro e empreiteira Odebrecht, que toca a obra, a Linha 4 do Metrô, que vai ligar a Barra da Tijuca (onde ficará a Vila Olímpica, na zona Oeste do Rio) a Ipanema, na zona Sul, será aberta ao público em junho de 2016, mas ainda em fases de testes, apenas fora do horário de pico, e incompleta.

É que a estação da Gávea (que levaria às cercanias da lagoa Rodrigo de Freitas), uma das seis previstas no projeto inicial, não será inaugurada e aberta ao público antes de dezembro de 2016, ou seis meses após a previsão inicial e cinco meses após os Jogos. É o que revela o secretário estadual de Transportes, Carlos Roberto Osório, alegando que houve “mudanças no projeto original”.

Pouco antes das alegadas mudanças, no dia 13 deste mês, após uma paralisação da obra por motivos técnicos que deixou dúvidas sobre a possibilidade de se manter o prazos iniciais, o mesmo secretário, em coletiva de imprensa, mostrava-se bastante confiante quanto à viabilidade do cronograma original: “Nós estamos acompanhando, passo a passo, diariamente a evolução do Tatuzão, para garantir o cronograma de obras. Esta obra tem que ficar pronta no primeiro semestre de 2016 do início dos Jogos Olímpicos.”

Tatuzão, buracos e cimento brotando do chão

Assim, caso a obra da Linha 4 do metrô não atrase mais nem um dia além dos seis meses que já atrasou em relação ao cronograma original, ela só estará em pleno funcionamento (sem contar a estação da Gávea) a poucas semanas da Olimpíada. Isso é possível, mas, a julgar pelo histórico de problemas e atrasos que ocorreram até agora, também é possível que os Jogos Olímpicos ocorram sem a ligação por metrô entre a Barra e a zona Sul e o Centro do Rio.

O túnel por onde passarão os trens está sendo escavado pelo chamado “Tatuzão”. Trata-se de uma escavadeira que perfura solos e rochas e, ao mesmo tempo, já constrói um túnel de concreto armado. Em maio do ano passado, a atividade do equipamento em Ipanema levou ao afundamento do solo e à aparição de rachaduras em edifícios da rua Barão da Torre.

Por causa disso, a atividade do Tatuzão foi paralisada, o que começou a comprometer os prazos da obra. A primeira data marcada para o retorno das atividades do Tatuzão foi julho do ano passado. Não ocorreu. Veio outra data: agosto. Não foi cumprida. Passou-se a falar em setembro. Não foi possível.

Finalmente, em novembro do ano passado, o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, apertou o botão de detonação que recolocou a máquina em funcionamento, e prometeu, em relação ao calendário da obra e à sua conclusão até as Olimpíadas:

“Dá tempo. Está tudo no cronograma. A gente vai entregar e vai ocorrer tudo bem. Está tudo dentro das previsões. Era prevista uma mudança de solo, que sempre traz algum problema, mas isso estava dentro de tudo o que foi estabelecido, e o consórcio (liderado pela Odebrecht) garante que a gente vai ter o metrô nas Olimpíadas”. Até agora, sabe-se que, pelo menos no que se refere à estação da Gávea, a promessa do governador já não tem mais validade.

No dia seguinte à volta do Tatuzão, um buraco na mesma Barão da Torre surgiu em frente a um prédio. Para o consórcio construtor, porém, ele não tinha relação com a obra, fora causado por uma obstrução em uma tubulação de esgoto, que coincidentemente ocorrera no mesmo dia da volta das escavações.

Já no último dia 12, um vazamento de água com cimento alagou a esquina das ruas Farme de Amoedo e Barão da Torre, em Ipanema. Primeiro, ao lado do canteiro da obra da Linha 4, um buraco se abriu. Depois, de tal cratera, começou a jorrar água e cimento, em alguns momentos como um chafariz, projetando um jato de mais de dois metros.

Pedestres e clientes de restaurantes saíram correndo em polvorosa, o trânsito teve que ser fechado, os funcionários do consórcio construtor pararam o que estavam fazendo para tentar resolver a situação, e o cronograma da obra foi comprometido em mais alguns dias.

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