McDonald’s do Japão é obrigado a racionar batatas fritas

Com racionamento e transportes aéreos de emergência, o Japão entrou na grande escassez de batata frita de 2014.

O McDonald’s começou a limitar na quarta-feira (17) suas porções de batatas fritas em suas 3.200 lojas japonesas ao menor dos três tamanhos disponíveis, culpando a escassez de batatas processadas dos Estados Unidos.

O problema também afetou outras redes de restaurantes, enquanto uma disputa de estivadores na Costa Oeste americana repercute por todo o oceano Pacífico.

O McDonald’s pediu desculpas aos seus clientes no Japão com avisos postados nas caixas registradoras e em uma mensagem em seu site local.

“Como atualmente estamos tendo dificuldade na aquisição das batatas fritas McDonald’s, as ofereceremos apenas no tamanho pequeno”, dizia a nota no site.

Nobuhiro Abe, um funcionário de escritório de 34 anos fazendo um almoço tardio no distrito Shiodome de Tóquio, disse: “Eu só soube quando fiz o pedido e fiquei surpreso”.

Ele levou na esportiva e usou seu smartphone para baixar um cupom de desconto de 50 ienes, ou cerca de US$ 0,40, que o McDonald’s ofereceu como compensação, gastando a economia em uma torta de maçã.

“Tudo acabou bem no final”, ele disse.

O McDonald’s também reduziu em 50 ienes o preço das refeições que normalmente acompanham os pedidos de batatas de tamanho médio.

O Japão é o segundo maior mercado do McDonald’s, depois dos Estados Unidos, e a escassez de batata frita ocorre no encalço de outros problemas mais sérios em sua cadeia de fornecimento. Em meados deste ano, ele teve que tirar o Chicken McNuggets de seu cardápio, depois que foi descoberto que um fornecedor na China estava misturando carne vencida em suas entregas.

Muitos clientes passaram a evitar a rede desde então, e em julho, o McDonald’s Japan, que é parcialmente de propriedade da matriz americana, suspendeu sua previsão de lucro do ano.

Os clientes reagiram mais tranquilamente à escassez de batata frita. Apesar do McDonald’s estar vendendo apenas a porção pequena, ele não limita o número que um cliente pode comprar –aparentemente contando com o comedimento dos japoneses para impedir trapaça.

Um fã de batata frita postou no Twitter um cálculo do número de pedidos de batata frita pequena necessários para equivaler a um grande: 2,3, segundo a medição do autor do post. Outro respondeu: “Assim que comprar duas porções pequenas, já será mais caro do que uma grande!”

A escassez de batata é consequência de uma longa disputa trabalhista em 29 portos americanos, onde 20 mil estivadores estão sem contrato desde julho.

Os operadores dos portos, que estão todos na Costa Oeste e lidam com cerca da metade do comércio exterior americano, acusaram os estivadores de atrasarem deliberadamente os carregamentos, apesar dos sindicatos dizerem que os portos estão sobrecarregados por falta de capacidade, para começar.

A disputa também é acusada pela disrupção das exportações para a Ásia de outros itens, como árvores de Natal cultivadas no Noroeste do Pacífico. Mas o McDonald’s parece ter sido atingido de forma especialmente dura.

O simples tamanho das operações japonesas é um motivo provável, assim como o fato de que sua rede mantém uma política de usar apenas batatas cultivadas e processadas nos Estados Unidos, o que significa que não pode simplesmente trocar por um fornecedor de outro país.

O McDonald’s disse que adotou algumas medidas de emergência para aliviar a escassez, incluindo trazer 1.000 toneladas de batatas fritas congeladas por ar e encomendando outras 1.600 toneladas enviadas pelos portos da Costa Leste, apesar dessas levarem mais tempo para chegar ao Japão.

Gusto e Skylark, duas redes de restaurantes de estilo família no Japão, também encomendaram toneladas de batatas fritas americanas via aérea. O Lotteria, uma rede de hambúrgueres sul-coreana com muitas lojas no Japão, também está tendo dificuldades para garantir o fornecimento, segundo relatos na imprensa japonesa.

Não se sabe quando a disputa dos estivadores será resolvida. Em uma curta “atualização das negociações” postada em seu site na quarta-feira, a Associação Marítima do Pacífico, que representa os empregadores portuários, soou pessimista.

“Mesmo após sete meses de negociações, nós permanecemos sem acordo em muitas questões, e operação tartaruga pelo sindicato continua perturbando a movimentação de carga pelos portos”, ela disse. “Negócios estão sendo perdidos e estamos preocupados que o dano possa ser permanente e as transportadoras fiquem temerosas em depositar sua confiança nos portos da Costa Oeste daqui em diante.”

Em Shiodome, Kunihiro Tachinami, outro funcionário de escritório de 62 anos, disse estar resignado em aguardar pelo fim da disputa.

“É triste”, ele disse, “mas não há nada que você possa fazer”.

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