Chuva contínua e pancadas com grande volume aumentam as ameaças na Grande BH

Dezembro começou com temporais castigando a Região Metropolitana de BH. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, em apenas quatro dias choveu 200,9 milímetros (mm), ou  63% da média histórica para todo o mês, de 319,4mm. A mistura das tempestades com precipitações intermitentes multiplica o risco, pois gera alagamentos –  como o que matou uma idosa que tinha problemas de locomoção e mal de Alzheimer, em Ribeirão das Neves –, mas também causa ameaças de deslizamento, por saturação do solo. “Tivemos um volume grande de precipitação em um curto espaço de tempo. Isso sobrecarrega o sistema de drenagem e as encostas”, disse o coronel Alexandre Lucas, subsecretário de Proteção e Defesa Civil.

Em relação às encostas, somente entre a noite de anteontem e a tarde de ontem foram ao menos três ocorrências graves na Grande BH. “É importante lembrar que temos mais de 20 incidentes com muros no período chuvoso e mais de 100 em risco de queda. Isso acontece devido ao solo encharcado e também à falta de manutenção do sistema de drenagem”, completou o subsecretário de BH.

Uma dos casos mais graves aconteceu no Condomínio Residencial Assunção Life, no Bairro Camargos, Região Noroeste de BH, onde moradores foram obrigados, pela segunda vez em dois anos, a deixar suas casas. Assim como no ano passado, um deslizamento de terra destruiu um muro próximo a três prédios do conjunto e 62 famílias tiveram que abandonar o local.

“Levantamos achando que era trovão. Saímos e parecia que estava caindo algo. Só aí vimos que era o muro. Descemos e ficamos esperando. Voltei correndo, peguei o que tinha que pegar, e fui para a casa da minha sogra”, contou a funcionária pública Aline Santos, de 36 anos. Ela estava com uma criança de 1 ano e 3 meses no colo no momento do desabamento. Depois que desceu, ela e o marido foram alertando outros moradores. “Era um avisando o outro, batendo nas portas, colocando no grupo do WhatsApp”, disse. “Não sabemos se vamos ser levados para algum hotel”, completou.

Em dezembro do ano passado, famílias viveram o mesmo drama. Moradores de 40 apartamentos foram afetados. Além da interdição dos blocos 13 e 14, a Defesa Civil isolou uma área de um dos apartamentos do bloco 25, por causa do risco de outro muro desabar e atingir área privativa no primeiro andar.

Ontem, os danos foram nos blocos 15, 16 e 17. A moradora Aline Santos critica as ações para mitigar os danos no conjunto. “Arrumaram um (muro) e deixaram o resto. Sabiam que podia acontecer e simplesmente estavam torcendo para não acontecer.”

Uma das subsíndicas dos prédios, Nilma Helena, de 60 anos, afirmou que os riscos de desabamento já tinham sido detectados por laudo pedido pelos próprios moradores. “Já tínhamos apresentado laudo de instabilidade há algumas semanas para a Construtora Tenda. Esse laudo condena o condomínio inteiro. Todos os taludes feitos e também o solo do estacionamento foram mal compactados. O documento aponta que o condomínio está com risco de erosão”, comentou.

Em nota, a Tenda informou que faz obras para mitigar os danos e que presta assistência às famílias. “A construtora esclarece que sua equipe técnica está trabalhando no residencial desde a madrugada para solucionar as questões levantadas. Ao mesmo tempo, os moradores estão recebendo toda a assistência necessária, assim como todas as informações a respeito da situação.”

TRINCAS No Bairro João Pinheiro, também na Região Noroeste de BH, o deslizamento de uma encosta de aproximadamente 10 metros atingiu quatro casas na Avenida Ribeiro de Paiva. Alguns imóveis apresentaram trincas ou ficaram com estruturas expostas. Por causa dos riscos, 13 pessoas foram retiradas das casas. Em Venda Nova, um barranco cedeu e atingiu uma residência no Bairro Minascaixa. Parte da estrutura desabou e ao menos três pessoas sofreram ferimentos leves.

CRATERA SOB A LINHA
Problemas devido à chuva forte também foram registrados em Contagem. Moradores da Vila São Paulo tiveram que deixar suas moradias devido a um deslizamento que atingiu a linha férrea e danificou casas durante a chuva da madrugada de ontem. A terra cedeu, deixando um trecho dos trilhos descoberto. A lama que desceu da encosta atingiu imóveis e barracões que ficam na rua abaixo do local. “Foi um terror. A gente via terra descendo com moita de capim, muitas pedras, pedaços de pau, e uma água muito forte. O rio começou a encher e a gente ficou com medo do encontro da lama com a água que, com certeza, provocaria um desastre maior ainda”, disse a professora Valquíria de Moura, de 37 anos.

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