A Prefeita Elisa Costa, decretou hoje (10) Estado de Calamidade Pública em função do desabastecimento de água no município.

Foi elaborado um Plano de Emergência enviado aos Governos estadual e federal e à empresa Samarco, responsável pela tragédia ambiental de Mariana. Foi oficiado ao Ministério Público que já entrou com uma ação judicial contra a Samarco para que a empresa repare danos e prejuízos ao município e à população. Hoje, às 11h, foi realizada uma reunião na Prefeitura com representantes de todas as secretarias municipais. Compareceram ainda o Deputado Federal Leonardo Monteiro, o presidente da Câmara Municipal, vereador Adauto Carteiro e representantes da Defesa Civil. Foram discutidas ações do Plano de Emergência para enfrentamento da situação de falta de água no município. Está sendo feito contato ainda com o Ministério da Integração Nacional e com o Exército Brasileiro.

O Plano contém ações emergenciais imediatas que tentam minimizar os impactos que a possível falta de água acarretará, como, por exemplo, a exigência de que a Samarco consiga caminhões pipa para suprir a necessidade da população. A Copasa se colocou à disposição e já identificou municípios que poderão ceder água. 21 caminhões já buscam água em municípios vizinhos como Frei Inocêncio, Marilac e Vale do Aço. A princípio, irão abastecer instituições de saúde, ensino e abrigos. O município estuda, também, a possibilidade de utilizar água de poços artesianos. O Plano contém ainda necessidades específicas dos setores de Saúde e Educação do município na situação de emergência e ações da pós emergência, como a construção pela Samarco de um novo sistema de captação, tratamento e reservatório para a cidade, que não dependa do Rio Doce.

Após o desastre ambiental no distrito de Mariana-MG, com o rompimento das barragens de Fundão e Santarém da mineradora Samarco, os rejeitos e a lama começaram a chegar pela calha do Rio Doce em Governador Valadares na tarde de ontem (9). Por volta da 1h da madrugada de hoje, a grande quantidade de lama chegou à parte do rio que corta o centro da cidade, onde está a Estação de Tratamento Central do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), que já havia interrompido a captação e tratamento da água, devido ao alto nível de turbidez. A turbidez tolerável para o tratamento da água tem o índice de 1000 uT. Ás 14h desta terça (10) a análise da água já mostrava o nível de 80 mil uT. Já para o ferro, a concentração tolerável para tratamento é de 0,03mg. No mesmo horário a amostra retirada do Rio Doce constatava 410mg.

A pluma (como é chamada a massa formada pela lama densa, pastosa e oleosa) move-se lentamente pelo Rio Doce. Pra se ter uma ideia, a água que passa pela UHE de Baguari leva, aproximadamente, 4 horas pra chegar a Governador Valadares em condições normais. Os rejeitos da mineradora Samarco chegaram a Valadares 16 horas depois de passar pela UHE de Baguari. Em contato permanente com órgãos federais e estaduais, que estão monitorando a situação, como a CPRM e a Agência Nacional de Água (ANA), o SAAE alerta que não há como prever quando poderá restabelecer o abastecimento, já que nenhum tratamento é eficaz enquanto a lama não se diluir e não há previsão de quanto ainda existe de lama para passar.

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