A batalha dos bebês que nasceram antes da hora e lutaram para sobreviver

Há um ano, Heloá Victória desafiou a medicina ao nascer. Com seis meses de gestação e pesando 450g, era quase impossível sobreviver. Quase. Quando já estava dentro de um saco, dada como morta após o parto, chorou baixinho. Toda a equipe médica se surpreendeu e começou a luta para salvá-la. Foram quatro meses de internação na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (Utin) do Hospital Estadual Dr. Jayme dos Santos Neves, até a alta.

Heloá é um dos menores bebês já nascidos no Estado. “O médico desabafou comigo: um bebê do tamanho da sua filha é considerado aborto. Impossível sobreviver. Mas, graças a Deus e aos médicos, minha filha está viva e esperta”, conta a mãe de Heloá, Maria Aparecida Rodrigues, 33.

No Espírito Santo, a cada duas horas nasce um bebê prematuro, com menos de 37 semanas, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). No Brasil, nascem cerca de 40 bebês prematuros por hora, de acordo com dados do Sistema Único de Saúde (SUS). O normal em uma gestação é a mãe dar à luz entre 37 e 42 semanas de gestação. E ao nascer, o bebê pesar de 2,5 kg a 3,5 kg.

Entre os prematuros, existem os casos considerados extremos, como o de Heloá: os bebês nascem antes de 28 semanas de gestação – o que equivale a 7 meses – ou com menos de 1 kg. “Há 30 anos, quando um bebê de 1 kg sobrevivia, era milagre. Hoje, a gente faz partos de bebês de 500g. Foram muitos avanços, principalmente nos últimos 10 anos”, conta a neonatologista Sílvia Louzada, coordenadora da Utin do Hospital Estadual Dr. Jayme dos Santos Neves, referência em gestação de alto risco.

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SOBREVIVÊNCIA

Os avanços da medicina foram muitos mesmo. E fundamentais para garantir a sobrevida dos prematuros. O maior estudo já realizado sobre a prematuridade – publicado recentemente na revista científica “The Journal of the American Medical Association” – traz dados animadores: hoje, seis em cada 10 crianças nascidas com até 28 semanas conseguem sobreviver sem nenhum tipo de sequela. Há 20 anos, eram quatro.

Mesmo em bebês ainda mais prematuros, de 25 semanas, foi registrado um crescimento significativo: a taxa de 18% de sobreviventes sem sequelas, em 1997, saltou para 22% este ano. O estudo foi conduzido pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH) e avaliou 35 mil bebês nascidos antes do tempo ao longo de 19 anos.

“Até pouco tempo, 500g era o peso mínimo para que a equipe investisse na reanimação ainda na sala de parto, porque eram considerados inviáveis os recém-nascidos com peso inferior. Hoje há outros critérios e muito mais recurso tecnológico para manter a vida de bebês tão pequenos”, diz a psicóloga Fernanda Stange, que atua em Utins.

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TRATAMENTOS

Na década de 1980 surgiu um dos avanços mais significativos na ciência neonatal: o surfactante artificial, medicamento que ajuda a amadurecer o pulmão dos prematuros. Mais acessível a partir da década de 1990, o remédio foi um marco para a vida dos prematuros.

Incubadoras modernas e respiradores próprios para os bebês também foram fundamentais. Sem falar em métodos que não precisam de altos investimentos, mas promovem tratamento mais humanizado. É o caso de redinhas, Método Canguru e banho de ofurô. Todos trazem mais qualidade de vida para o recém-nascido e os benefícios do maior contato entre mãe e filho.

MOTIVOS

Entre os motivos mais frequentes para nascimento de prematuros estão ruptura antecipada da bolsa amniótica, hipertensão, pré-eclâmpsia, diabetes, descolamento prematuro da placenta, sífilis, gestações múltiplas, fertilização in vitro e malformações do feto.

Os sintomas, muitas vezes, são silenciosos, por isso é importante que a gestante faça um pré-natal completo e não ignore qualquer mal-estar. A infecção urinária, por exemplo, pode levar ao parto prematuro. Segundo o obstetra e ginecologista Henrique Zacarias, diretor do Hospital Dia e Maternidade da Unimed Vitória, 50% dos partos prematuros não têm motivo conhecido pela medicina.

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