Mulher presa suspeita de matar grávida atraiu vítima com peças de enxoval

Uma mulher responsável, que trabalhava de diarista para cuidar dos dois filhos, um de 14 anos e outro de 8 com necessidades especiais, sem qualquer indício de anormalidade. Esse seria o perfil de Aline Roberta Fagundes, de 37, presa em flagrante ontem pela morte da gestante Gabrielle Barcelos Silva, de 18, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, para ficar com a filha da vítima. Nos últimos 10 meses, desde que iniciou o relacionamento com o atual companheiro, Aline mentiu sobre estar com câncer e, recentemente, sobre uma gravidez de gêmeos, para que ele não a deixasse. Em junho de 2015, um crime semelhante ocorreu na Zona da Mata. Em agosto do ano passado, também no Triângulo, a situação se repetiu, somando agora três mortes de grávidas no estado para roubo de bebê.




O delegado Rafael da Silva Herrera, que investiga o caso, se surpreendeu com a trama macabra. “Ela apresentou várias versões, mas acabou confessando que atraiu a jovem, que mora na mesma rua, para matá-la e roubar o bebê. Chegou a sugerir a participação de seu companheiro, mas não encontramos indícios do envolvimento dele, por meio dos exames periciais”, explicou o delegado. A recém-nascida, encontrada com a diarista, está no UTI do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia.

Segundo o policial, a criminosa, para manter seu relacionamento, disse que estava grávida.  “Ela passou a tramar o roubo de um bebê. Até que atraiu sua vizinha, oferecendo-lhe peças de enxoval, a dopou, rasgou-lhe a barriga com um estilete e retirou a bebê. A jovem morreu devido a uma hemorragia”, apontou Herrera.




Foi o filho adolescente da assassina quem encontrou o corpo da vítima enrolado num colchão aos fundos da casa e pediu socorro. Aline e seu companheiro foram levados para a delegacia, onde a mulher confessou o crime. Autuada em flagrante por homicídio com dupla qualificadora, ocultação de cadáver e aborto sem consentimento, ela foi presa e levada para o presídio Professor Jacy de Abreu.

Atrair gestantes com promessas de doar peças para o enxoval foram as iscas que levaram à morte de outras duas mulheres, que tiveram seus bebês roubados de suas barrigas. Em 19 de agosto do ano passado, Greiciara Belo Vieira, de 19, também de Uberlândia, despareceu depois de sair de casa para buscar as roupinhas. Três dias depois, seu corpo foi encontrado em uma lagoa em Ituiutaba, na mesma região, sem seu bebê. Shirley de Oliveira Benfica, de 30, e Lucas Silva, de 22, foram identificados como autores. A criança foi resgatada com a mulher. Também foram presos Jhonatan  Ribeiro de Lima, de 24, e a enfermeira Jacira de Oliveira, de 60.

Em 26 de junho de 2015, Patrícia Xavier da Silva, de 21, grávida de nove meses, desapareceu depois de uma consulta médica, em Ponte Nova, na Zona da Mata. Ela foi atraída por Gilmaria Silva Patrocínio, que lhe disse que tinha umas roupas de bebê. Atingida com golpes de pau na cabeça, seu corpo foi encontrado quatro dias depois de seu sumiço, sem o bebê. A criminosa foi condenada no ano passado a 34 anos de prisão.

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